AVC explicado de forma simples: o que é, sinais de alerta e o papel da Enfermagem
- Patrícia Oliveira
- 26 de ago. de 2025
- 5 min de leitura

AVC explicado de forma simples: o que é, sinais de alerta e o papel da Enfermagem
Mais do que números, estes dados representam uma vida que mudou. E é aí que tu, futura enfermeira, entras.
Saber detetar os sinais, agir rapidamente e ensinar os outros pode literalmente salvar vidas e mudar prognósticos.
Este artigo é a tua sebenta descomplicada para entender de forma clara:
- O que acontece no cérebro durante um AVC;
- Quais os sinais de alerta mais importantes;
- Como deves atuar enquanto estudante e futura profissional de enfermagem.

O que é um AVC?
Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) acontece quando uma parte do cérebro deixa de receber sangue suficiente — e, por isso, não recebe nem oxigénio nem glicose.
Como o tecido nervoso não consegue produzir energia a partir de gordura, qualquer interrupção no fluxo sanguíneo causa morte celular em minutos.
Por definição, um AVC provoca sintomas neurológicos, que têm de durar mais de 24 horas. Isto porque quando os sintomas duram menos de 24h e se resolvem totalmente, estamos perante um Acidente Isquémico Transitório (AIT). O que é um enorme fator de risco para o aparecimento de um AVC.
Existem dois tipos principais de AVC:

● AVC Isquémico (80-85%)
Causado por obstrução de um vaso cerebral, impedindo a chegada de sangue a uma zona do cérebro. Pode ser:
- Trombótico: forma-se um trombo no próprio vaso;
- Embólico: coágulo ou placa de gordura que vem de outra parte do corpo (ex.: coração), viaja pela corrente sanguínea e obstrui uma artéria cerebral geralmente de pequeno calibre;
- Lacunar: obstrução de pequenas artérias profundas, normalmente causado por alterações nas paredes dessas artérias.
Os fatores de risco para o aparecimento deste AVC são:
Arritmias (fibrilhação auricular), Diabetes Mellitus, Tabagismo, Apneia do sono, Aterosclerose…

● AVC Hemorrágico (15-20%)
Resulta da rutura de um vaso sanguíneo, levando a uma hemorragia no tecido cerebral. Pode ser:
- Intracerebral: hemorragia ocorre dentro do parênquima (tecido funcional) cerebral;
- Subaracnoide: hemorragia ocorre entre as membranas (meninges) que envolvem o cérebro.
Os fatores de risco para o aparecimento deste AVC são:
Hipertensão, Aneurismas, Traumatismo craniano, terapêutica anticoagulante…
Sinais de alerta do AVC: os "3 F"
Os sinais clássicos do AVC são conhecidos pela mnemónica dos 3F:
Face: sorriso assimétrico, desvio da comissura labial e em alguns casos queda da pálpebra (ptose palpebral);
Força: dificuldade em levantar um dos braços ou sensação de formigueiro (parestesias);
Fala: discurso arrastado, incoerente ou incapacidade de falar.
Outros sinais que podem surgir:
- Alteração do equilíbrio ou coordenação;
- Perda súbita de visão;
- Cefaleia intensa e súbita, sem causa aparente;
- Confusão ou perda de consciência.
Ensina os teus doentes que perante qualquer um destes sinais se deve ligar imediatamente 112.
Usa a tecnologia a teu favor, vê este vídeo, e mostra-o aos teus doentes:
O que acontece no cérebro durante um AVC?
O tecido cerebral não tem reservas de energia e depende totalmente do fornecimento de oxigénio e glicose pelo sangue. Quando há uma interrupção:
1. O metabolismo das células nervosas é interrompido, pela inativação da produção de ATP;
2. Começa um processo de necrose (morte celular não programada) e apoptose celular (morte celular programada);
3. Forma-se uma área central de lesão (núcleo do infarto) e uma zona periférica potencialmente recuperável (penumbra isquémica);
4. Quanto mais tempo passa, maior é o dano e mais graves as sequelas.
TEMPO É CÉREBRO
A cada minuto de isquemia cerebral aguda, estima-se que se percam cerca de 1,9 milhões de neurónios
Localização da lesão e manifestações clínicas comuns

As manifestações clínicas variam consoante a artéria afetada, mas incluem:
- Hemiparesia ou hemiplegia contralateral à lesão, ou seja, lesão do lado direito, hemiplegia do lado esquerdo;
- Parestesias (formigueiros);
- Disfagia (dificuldade a engolir);
- Afasia (expressiva, compreensiva ou global);
- Agrafia, alexia, apraxia, agnosia;
- Incontinência urinária;
- Alterações cognitivas e emocionais;
- Negligência (neglet) unilateral.
O que é são Via Verdes:
São estratégias organizadas para a abordagem, encaminhamento e tratamento mais adequado, planeado e rápido, nas fases pré, intra e inter-hospitalares, de situações clínicas mais frequentes e/ou graves.
Via Verde AVC; Via Verde Coronária; Via Verde Sépsis…
Tratamento:
Trombólise, será para todos?
A trombólise é um procedimento que tem como objetivo dissolver coágulos sanguíneos (trombos) que obstruem vasos sanguíneos, restaurando o fluxo sanguíneo.
A trombólise envolve a administração de medicamentos trombolíticos, como o Rt-PA (ativador de Plasminogênio tecidual) – Alteplase

Ativação do plasminogénio: O rtPA liga-se à fibrina (componente do coágulo), e ativa o plasminogénio. Este formará a plasmina (enzima fibrinolítica) que degrada a fibrina, dissolvendo o coágulo.
Os candidatos a trombólise têm de ter idade superior ou igual a 18 anos, com alguma precaução a partir dos 80 anos, ter sintomas à menos de 4h e meia; ter um diagnóstico de AVC isquémico com défice neurológico, TAC CE que não mostre sinais de hemorragia e/ou outros eventos hemorrágicos com menos de 6 meses e AVC isquémico não muito extenso (AVC isq. extensos não são elegíveis para trombólise pelo alto risco de transformação hemorrágica).
Trombectomia:
É procedimento endovascular realizado para remover o coágulo que bloqueia o vaso sanguíneo no cérebro, restaurando o fluxo sanguíneo e minimizando o dano cerebral.
Utiliza-se cateteres com dispositivos de stent ou aspiração para retirar o trombo
Este procedimento é passível de ser realizado até às 24h de inicio de sintomas, sendo idealmente realizado nas primeiras 6h
O papel da Enfermagem no AVC
O enfermeiro tem um papel fundamental nas três fases do cuidado ao doente com AVC:
1. Prevenção Primária
1.1 Educação para a saúde:
- Promover o controlo da hipertensão, diabetes e dislipidemia;
- Incentivar à cessação tabágica e do álcool;
- Encorajar a alimentação equilibrada e a atividade física.

1.2 Ensino dos sinais de alerta à população
- Campanhas educativas nos centros de saúde, escolas e comunidade;
- Envolvimento em rastreios e ações de sensibilização.
1.3 Deteção precoce e atuação rápida
- Vigilância rigorosa de sinais neurológicos em contexto hospitalar;
- Ativação da Via Verde AVC intra-hospitalar, se aplicável;
- Aplicar escalas como a NIHSS para monitorização da gravidade.
2. Intervenção na fase aguda
- Posicionamento correto do doente (decúbito lateral anti-espástico);
- Monitorização de sinais vitais e avaliação neurológica frequente;
- Oxigenoterapia e balanço hídrico;
- Cuidados com a mobilidade, prevenção de lesões de pressão e tromboflebites.
3. Reabilitação e autonomização
- Promoção do autocuidado (higiene, alimentação, marcha);
- Colaboração com equipa multidisciplinar (fisioterapia, terapia da fala, enfermeiros especialistas de reabilitação);
- Apoio à família e ao cuidador informal.
Complicações frequentes a vigiar
- Aumento da pressão intracraniana (PIC);
- Infeções respiratórias (alto risco de aspiração na presença de disfagia) e urinárias;
- Lesões por imobilidade (escaras);
- Alterações emocionais (ansiedade, depressão);
- Disfagia com risco de aspiração;
- Risco de quedas e lesões.
O enfermeiro faz a diferença
O AVC é uma urgência. Mas é também uma oportunidade de atuar com conhecimento, confiança e humanidade.
Como estudante e futura profissional de enfermagem, o teu papel é vital na prevenção, resposta imediata e reabilitação da pessoa com AVC.
Agora tenho uma pergunta para ti: “Em que tipo de AVC o controlo da tensão arterial deve ser feito com mais cautela, para evitar uma descida excessiva que possa comprometer a perfusão cerebral?”
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